quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Medo do Outro

A parada Gay de Rio Branco deste ano está dando o que falar. Já ouvi coisas no ônibus, nas ruas, bafafá nas mídias sociais e jornais. Mas, hoje cedo uma matéria no jornal local de uma retransmissora da Rede Globo me revoltou. Questões éticas profissionais a parte, não pretendo falar disso neste post. É o assunto da matéria. É polêmico e está sendo polemizado de forma irresponsável ao colocar todos na velha dualidade bem versus mal, e cada qual se enxerga como bem e outro como mal. Indignando com sentimento de revolta profunda todas as (múltiplas) partes afetadas tirando a possibilidade de dialogo. Então, não aguentei preciso falar. Pontuar algumas questões que andam gerando fumaça nos meus miolos. Talvez escrevendo chegue a algum lugar. Talvez se a internet prove ser um lugar também de escuta e não apenas todos falando ao mesmo tempo, alguém me escute e pontue mais questionamentos pra muá.

O estopim da história toda foi uma foto que mostra dois homens simulando sexo oral no meio a multidão. Mas, não é simulando igual quadro do programa Linha Direta. O homem não estava com a boca naquilo, nem aquilo na boca. Estava com a língua no pênis de borracha que o outro segurava. Posou para foto e com certeza nessa hora deve estar se arrependendo piamente da gracinha. Só que o assunto cresceu. E, já tem manchete dizendo que o governador quer pedido de desculpas, tem também (para não fugir da rotina) a Assembléia Legislativa do Acre fazendo sessão para o assunto, dizendo que é uma afronta a família.

Pêpepêo! Rodei a baiana neste instante. Afronta a família são eles que deveriam trabalhar e não ficar discutindo assuntos de forma atravessada não colaborando em nada para a construção de uma sociedade com equidade como prevê o quinto Artigo da Constituição Federal. Afronta a família é corrupção, é roubo do dinheiro público, é compra de votos, são concessões de telecomunicação nas mãos de determinados políticos. Estas sim são afrontas as famílias e ninguém na Assembléia fez ou faz sessão repudiando isso.

Confronto. Foi mais ou menos isso que eu senti durante a Parada Gay. Não vi a cena lá na hora. Mas, senti no ar um confronto. As pessoas chutando o pau da barraca para mostrar que existem são livres e precisam ser respeitadas. Afinal, em Rio Branco foi uma ano cheio de acontecimentos e declarações polêmicas dos nossos representantes do poder público, que colaboraram para dividir a sociedade civil e fortalecer o preconceito e a intolerância.

Já vinha pensando em como seria a Parada um cadinho antes dela acontecer. Algumas pessoas referências do movimento diziam que não participariam, e não participaram. Pois, a Parada Gay estava descaracterizada, tornou-se o novo “carnaval da gameleira”. Concordo com isso quando ouço depoimentos como os de agressão a gays durante a parada, ou como notei vários rapazes olhando com cara de nojo um beijo gay, na Parada gay. A bagunça, a pegação atraem o público, fato.

Contudo acredito que existem mais coisas do que pura curtição na própria atitude irreverente dos gays quanto a expressar seus desejos carnais. Penso que o movimento Gay não pode ser comparado ao Movimento Social, por exemplo, o Movimento das Comunidades Eclesiais de Base, ou o Estudantil, quando estes ainda tinham identidades solidas. Acho que temos que nos lembrar da nossa contemporaneidade (ou pós-modernidade) e a sua descaracterização dos movimentos sociais, devido ao capitalismo que sugou nosso sentimento de contestar, e o vende em estampas de camisetas.

Então, eu (e, friso eu) acho que o movimento LGBT tem um pouco essa característica de contestar ao explicitar o lado sexual da coisa, que também tem muito a ver com o que eles desejam, a liberdade de expressão dos sentimentos. Afinal, o discurso religioso (católico) por anos proibiu o prazer, a idade média está ai para provar isso. Esse discurso ainda esta presente hoje e não permite que discutamos sobre sexo. Não preciso nem falar de boquete e relações homoafetivas por aqui, basta pensarmos na proporção de mulheres heterossexuais que tem a liberdade de se masturbarem antes da primeira relação sexual comparado aos homens. É um tabu, é um preconceito fruto de um discurso histórico e perpetuado até hoje. Por isso, acho que a postura “escrachada” de uma Parada Gay tem que nos fazer pensar e falar sobre o que não deve ser falado, como o sexo e sexualidade. Quem sabe se começarmos a falar talvez possamos fazer mais e assim o recalque iria pra cucuia e tudo caminharia para uma essência mais hippie, de paz e amor em proporções inimagináveis.

Só que também acho que a atitude confrontadora da Parada, não foi simplesmente a busca de liberdade de poder transar e amar quem você quiser, sem que o outro se sinta ofendido. Temos que considerar o contexto, o que antecedeu na parada gay, para inflamar tanto os ânimos. Porque como dizem as Escolas Marxistas e de Análise do Discurso não rola analisar uma frase sem entender quem a pronunciou, como a pessoa se sentia no momento, se estava com fome, querendo ser engraçado. Não dá para olhar só a estrutura sintática temos que entender o que está se passando.

E o que se passou neste ano para que a sociedade acreana ficasse atenta a qualquer fio fora da linha na Parada foi muita coisa.

Primeiro fato que em Rio Branco repercutiu de forma atravessada mais uma vez por culpa da inconsequência da Assembléia Legislativa acreana foi à censura ao Filme “Não quero voltar sozinho”. Não vou detalhar timtim por timtim dessa história. Mas, o fato é que aluno e professor não souberam se escutar e comunicar, e o babado, comunicado por fofoqueiros (aqueles que vivem para cuidar da vida do outro), foi parar na Assembléia Legislativa condenando um filme que buscava discutir o preconceito.

Outro acontecimento forte foi o anúncio da intenção do Governo Estadual de destinar recurso público para construção de um Parque Evangélico, isso trouxe outras muitas questões, jogadas políticas, e população brigando contra ela mesma mais uma vez.

Teve também o protesto contra as mudanças previstas na legislação através da PLC 122/2006, que dispõem sobre casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Sei que já pratiquei evangelicofobia. Sim, sou injusta por fazê-lo, me arrependo de dizer certas atrocidades, não é discriminando o outro que o preconceito será extirpado. Precisamos parar de generalizar, colocar o outro como vilão.

Por isso, fico triste vendo as pessoas se atacando por serem diferentes. Porque assim nunca teremos respeito. E, respeito não significa ficar calado de cara feia enquanto o outro (estranho a mim) se pronuncia, e depois sair dizendo “Eu não tenho preconceito, desde que ele não venha pra cima de mim.” Gente cadê o amor? Respeito é entender o outro, o diferente, e não buscar excluí-lo, varrê-lo como sujeira que infecta nossa sociedade “pura”. Isso é hipocrisia.

Analisando a Parada e sua repercussão casando com algumas leituras, acho que Arjun Appudurai tem toda razão quando diz que o medo ao pequeno número (as minorias) tende a fazer que a maioria queira excluir os outros. O que não é EU nem NÓS é ELE, é o outro, o diferente, o estranho, o alienígena. E, os gays, lésbicas, travestis, transexuais são o diferente, representam ameaça a ordem vigente de poder e dominação pelo simples fato de serem diferente. Mas, existem outros vários excluídos. O pensador ainda diz que a exclusão que fazemos do outro gera uma ação e reação de violência.

Não sei se estou certa nesses meus questionamentos, sei que posso estar sendo violenta e preconceituosa, peço desculpas. Mas, algumas coisas precisam ficar de lição. Uma delas é que o movimento LGBT vai ter que repensar a parada gay, a outra é que a Assembléia Legislativa do Acre me assusta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ele estava ali sozinho. Escondido do sol escaldante na sombra daquela árvore. Pendurado no galho duma mangueira. Parado. Nem a brisa o embalava.
Quando ela o viu. Sorriu. Olhou em volta e não tinha ninguém por perto. Todos estavam em suas salas. Caminhou até o balanço. Fizeram aquele balanço durante a manhã. Oras! Não tinha nada pendurado ali mais cedo.
Sentou. Pensou, será que ainda sei fazer isso? E, se as cordas arrebentarem? Foi para trás subindo nas raízes da mangueira. Abaixou a tábua. Flexionou os joelhos. Seja o que Deus quiser.
E, balançou. Lembrou dos tombos, da vontade de ter tido um balanço no quintal para brincar a vontade. Lembrou-se do melhor que o balanço dos balanços causam, a vontade de voar, voar bem alto.
Pulou.


Foto Manu Falqueto

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Quantos Beijos se deve dar numa mulher

Tenho por ai alguns amigos, que vira e mexe me perguntam o que devem fazer para manter um relacionamento, como entender as mulheres. Elas são complicadas, difíceis, e a principal queixa, nunca estão satisfeitas. Quem tem homens como amigos em algum momento eles resolverão fazer esta consulta. Como se você fosse resolver e tivesse a resposta na ponta da língua.

Não existe um procedimento. Não existe solução mágica. Não existe uma resposta, assim como não existe uma pessoa igual à outra no quesito sentimentos.

Mas, acho que existem perguntas que você pode fazer, e assim, ter uma luz no fim do túnel das “incompreensíveis” mulheres.

Comece se perguntando quantas vezes você a beija?

Quantas vezes você a beija por dia? Se você começou a puxar na memória para contar já está errado e completamente desprovido de qualquer vestígio de razão. Está tem que ser uma conta sem resultado finito.

Exercite sua memória tentando lembrar-se se já teve alguma vez que você ficou sem a beijar na boca antes “fazerem amor”? Para esta pergunta não vou nem mencionar a gravidade, principalmente, porque o homem faz isso sem perceber. E, podem ter certeza que é uma porta no coração dela que se fecha.

Se pergunte qual foi a ultima vez você a acordou com beijos? Se é que já teve alguma vez, né? Ultimamente você andou praticando o ato de beijá-la durante um filme de terror para ela não assistir e conseqüentemente não ficar com medo. Ou até de qualquer outro filme? Quantas vezes você beijou cada parte do seu rosto nos últimos dias?

Se arrisque a perguntar também, quantas vezes você ligou só pra dizer que ouviu uma dessas músicas que são clichês românticos e lembrou-se dela? Ou quantas vezes na ultima semana você ligou só para dizer que não consegue parar de pensar nela? E, vamos parar no mérito da ligação, porque se questionar as cartas de amor, pode ser difícil...

Se pergunte também, quantas vezes num domingo à tarde, mesmo quando não tinha jogo nenhum para ver ou jogar, mesmo tendo visto ela durante a semana toda. Você por algum acaso pensou em surpreendê-la chegando na residência da amada ao entardecer com um pacote de pipoca falando que veio ficar fazendo nada com ela?

Se pergunte quantas vezes você realmente olhou para ela e disse que ela é linda mesmo ela estando com a roupa da faxina? Porque a roupa não importa, pois, você sabe que é sortudo por tê-la. Quantas vezes você pegou uma onze horas de um canteiro vizinho e deixou na janela dela?

Se pergunte qual foi a ultima vez que você fez um jantar para ela, com as coisas que ela gostaria de comer num jantar romântico?!

Se a relação esta desgastada. Você não agüenta mais ela cobrando mais atenção, e você sem saber o que fazer, afinal, já estão namorando há tanto tempo, não pode levar ela para jantar fora porque você ainda não recebeu, ou já está duro e cheio de contas para pagar.

Pensamento errado é falar em dinheiro, quando ela cobra atenção. Não que não gostemos de um mimo às vezes, voltamos à ideia do homem das cavernas, o protetor/provedor. Mas, as cavernas passaram, ela precisa é de atenção.

E, entenda que na sua cabeça de homem uma relação estável, é algo que depois de todo o processo árduo da conquista, esta tudo bem, e perfeito. É da mentalidade totalmente masculina achar que depois de tanto tempo esta tudo bem, afinal a conquista foi lá atrás. As mulheres até entendem isso, mas não compreendem. Afinal, presa abatida não é presa morta. As mulheres têm necessidade de serem bajuladas. Se esta difícil de entender assista filmes românticos iguais ao “Como se fosse a primeira vez”.

Se nestas perguntas tiver alguma que você não se lembre nem da primeira vez, pontinhos, pontinhos para você, homem desnaturado....

Se pergunte várias outras coisas que tem haver com romance e romantismo. Saiba fazer estas perguntas, porque se você não souber criar uma perguntinha dessas que seja, também não entenderá as mulheres.

E sua flor vai pelo vento.